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28.08.2026

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Coprel inova no setor de telecomunicações: um novo modelo cooperativista

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Há mais de duas décadas, a Coprel começou a buscar soluções para levar internet e telefonia aos seus cooperantes. A demanda vinha das reuniões do Conselho Consultivo, especialmente das mulheres, que apontavam a necessidade de comunicação de qualidade no campo como condição para a permanência dos jovens no interior.

Como a legislação brasileira não reconhecia as cooperativas entre os agentes autorizados a prestar serviços de telecomunicações, a Coprel criou uma operadora para viabilizar a construção de redes de fibra ótica e levar conexão de qualidade ao meio rural, onde o serviço não despertava o interesse das grandes operadoras. De certa forma, a Coprel repetiu o movimento que deu origem à sua própria história, no final da década de 1960, quando começou a construir redes de energia no interior para atender as áreas não alcançadas pelas concessionárias.

Neste ano, a sanção da Lei nº 15.324, de 6 de janeiro de 2026, representou um avanço na legislação brasileira ao assegurar às cooperativas o direito de prestar serviços de telecomunicações. E a Coprel deu um passo estratégico ao se tornar a primeira cooperativa do país a incluir as atividades de telecomunicações e serviços de valor adicionado em seu Estatuto Social, o que foi aprovado pelos cooperantes em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) no dia 28 de agosto, em Ibirubá. Com a incorporação formal da prestação de serviços de telecomunicações ao objeto social da Coprel, inaugura-se uma nova etapa para o cooperativismo no setor.

Não será criada uma nova cooperativa. A Coprel Geração e Desenvolvimento, presidida por Mateus Stefanello, amplia seus objetivos para incorporar formalmente a atuação no setor. Para ele, a decisão consolida uma construção que já traz grandes resultados para as comunidades beneficiadas e que permitirá avançar com mais solidez e segurança jurídica. “A essência da Coprel está no cooperativismo. Com a aprovação da lei e, agora, com a decisão dos nossos cooperantes, damos um passo histórico para consolidar esse modelo e ampliar a atuação cooperativa neste setor, que é essencial para o desenvolvimento das comunidades. É um passo fundamental para concretizarmos nosso objetivo de oferecer acesso à internet de qualidade no campo, da mesma forma que acontece com a energia”, afirma.

Construção coletiva

A Coprel já possui uma trajetória consolidada no setor por meio da Coprel Telecom, operadora regional que atende famílias, propriedades rurais, empresas e indústrias com infraestrutura 100% em fibra ótica. A inclusão das atividades no estatuto da Coprel Geração e Desenvolvimento abre caminho para que essa atuação seja desenvolvida também sob o modelo cooperativista.

O presidente da Coprel Energia, Jânio Vital Stefanello, destaca que o avanço foi resultado de uma construção institucional realizada ao longo dos últimos anos.

Este é um movimento que começou muito antes desta assembleia. Foi necessária uma grande mobilização institucional para demonstrar a importância da participação das cooperativas no setor de telecomunicações. Desde a apresentação do projeto de lei, em 2017, até a sanção presidencial, em janeiro deste ano, tivemos uma forte articulação do sistema cooperativista, com o apoio da Fecoergs, Infracoop, Ocergs e OCB. Agora, a Coprel assume o pioneirismo nesta atuação, abrindo caminhos para o cooperativismo brasileiro”, ressalta Jânio.

Apresentada pelo deputado federal Evair Vieira de Melo (ES) em 2017, a proposta teve uma longa tramitação no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, passou, entre outras etapas, pela relatoria do deputado gaúcho Heitor Schuch e teve sua tramitação concluída em 2021. No Senado Federal, onde passou a tramitar como PL nº 1.303/2022, a aprovação foi concluída em 2025, sob relatoria do senador Flávio Arns (PR), seguindo posteriormente para sanção presidencial.

A decisão aprovada na assembleia representa o primeiro passo societário para que os serviços possam ser prestados diretamente pela cooperativa. A partir da alteração estatutária, serão encaminhados os procedimentos regulatórios e operacionais necessários para a consolidação do novo modelo.

Cooperativistas de fato e, agora, também de direito

A impossibilidade de atuar diretamente como cooperativa não impediu a Coprel de investir em regiões onde levar internet exigia mais infraestrutura, parcerias e capacidade de encontrar soluções. A expansão avançou do meio urbano para o interior com investimentos próprios, parcerias com municípios e participação das comunidades. Os resultados foram reinvestidos na ampliação das redes, na melhoria dos serviços e no desenvolvimento regional.

A Coprel Telecom está presente em áreas urbanas e rurais de 91 municípios do Rio Grande do Sul. Em 21 deles, a fibra óptica já cobre 100% da área rural. Esse é um dos grandes diferenciais da Coprel: levar ao interior uma internet com a mesma qualidade e tecnologia disponível nos centros urbanos, conectando famílias, propriedades rurais, empresas e indústrias a serviços de internet, TV, telefonia e soluções digitais.

Durante todos esses anos, a Coprel já atuava com propósito cooperativo nas telecomunicações. Faltava a legislação acompanhar essa realidade. A alteração estatutária aprovada pela assembleia inclui, entre os objetivos da Coprel Geração e Desenvolvimento, a prestação de serviços de telecomunicações, como internet, telefonia fixa e televisão por assinatura. O atendimento, o relacionamento, os planos e os serviços já prestados seguem sem alteração.

Quase seis décadas depois de se unir aos agricultores para levar energia ao interior, a Coprel volta a abrir um caminho inédito. Sua consolidação como cooperativa de telecomunicações do Brasil nasce de uma necessidade, de uma trajetória e de uma certeza: quando uma infraestrutura é essencial para o desenvolvimento das comunidades, o cooperativismo encontra uma forma de fazê-la chegar.

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